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4 Maio, 2013

A Fé de Maria

Conjunto de reflexões sobre a Fé de Maria elaboradas pelo Grupo Paroquial ARS.

Adesão obediente mas livre de Maria…

A narrativa da Anunciação permite-nos contemplar a atitude de fé de Maria.
Por um lado, o Anjo convida Maria a alegrar-se… porque o Senhor está com ela, está nela, vive nela… E, por isso, Maria é “cheia de graça”, porque Deus habita nela, porque Maria acredita e vive uma relação de intimidade e interioridade com Deus. Ela vive inteiramente da e na relação com o Senhor; põe-se em atitude de escuta, atenta a captar os sinais de Deus na história de fé e de esperança do Povo de Deus.

Por outro lado, a resposta de fé de Maria – “Faça-se em Mim” – é uma ação conjunta de Deus n’Ela e dela em Deus, uma comunhão de desejos e liberdades. No centro da fé de Maria está uma experiência de adesão obediente mas inteiramente livre à comunhão com Deus. Maria consente, permite que Deus habite nela; Maria torna-se o lugar onde Deus habita a humanidade, gerando o Corpo de Cristo.

Deus dá a Maria a possibilidade de ela optar livremente por Deus, de abrir a sua humanidade a Deus. Esta é a grande experiência de fé de Maria, simultaneamente uma experiência espiritual muito profunda e uma comunhão de liberdades entre a humanidade e Deus.

Por fim a Anunciação é também uma profunda experiência de realização humana através da maternidade: Deus faz maravilhas em Maria quando ela dá à luz o Seu Filho primogénito.

 

Adesão e cumprimento da vontade do Pai…

Apesar da experiência profunda de abertura e de acolhimento da ação do Espírito Santo, Maria continua a crescer espiritualmente ao longo da sua vida.

A fé é sempre um estar a caminho, é sempre um percurso, um amadurecimento. A fé nunca é um conforto, nunca é uma vivência completa só de alegrias. Maria aprende a crescer na Fé mesmo quando não compreende o mistério de Deus.

Há momentos em que não percebe o que se passa, há momentos em que a vontade de Deus, que parecia clara, se torna obscura e impenetrável, há surpresas de fé. E há momentos em que ela, embora mãe, descobre que tem de ser discípula. E, embora tenha nascido antes do Seu Filho e tenha dado o corpo a Cristo, descobre que Ele é que é o Mestre, o Salvador, aquele de quem ela tem de aprender a conhecer Deus.

No processo de seguimento de fé, Maria teve de aprender ainda mais: não é por Jesus viver com ela, por habitar a mesma casa, por estarem juntos no dia-a-dia que faz dela seguidora de Cristo mas a sua proximidade na fé, na adesão e no cumprimento da vontade do Pai.

 

Abertura ao Mistério e à ação de Deus…

Maria partilha connosco esta particular pedagogia de Deus que leva cada um por um itinerário desconhecido e a um ritmo de transformação que é específico dos Seus desígnios quase sempre de difícil compreensão nos acontecimentos concretos. Nele se aprende o dom de Deus e a não dominar o dom de Deus.

Maria partilha connosco a vivência desta pedagogia de Deus, como partilham todos os santos e todos os místicos. Quanto mais perto de Deus, maiores as noites escuras, maiores as provas, as ausências, o sofrimento, o Mistério.

Maria vive também como nós, no seu caminho de fé, uma gradual abertura e acolhimento da ação de Deus em si. Partilha connosco a aceitação de um itinerário desconhecido e um ritmo de transformação que ela não domina. Maria não domina a ação apostólica do Filho, não domina os acontecimentos da história. Maria nem sequer domina o que acontece nela. Por isso o seu acolhimento e a sua resposta de fé são um caminho de abertura radical ao desconhecido da ação de Deus em si.

 

Confiança na ação salvadora de Deus…

Apesar da profunda experiência de fé, Maria não é poupada às provações, ao sofrimento, à dor. Mas, para além de toda a esperança meramente humana, Maria torna-se o símbolo da confiança na ação salvadora de Deus.

Para os que fazem a experiência do amor o mais difícil não é, tantas vezes, o sofrimento pessoal vivido, físico ou espiritual, não são as tragédias que nos acontecem, não são os nossos dramas, talvez nem sequer as nossas doenças, mas ver aquele, que mais se ama, passar pela experiência do sofrimento, do abandono, da rejeição da dor, do desespero, da tristeza, sem poder intervir: compadecer-se e sofrer com o amado aquilo que não se pode evitar.

Quem já alguma vez amou verdadeiramente percebe que talvez esta seja a experiência do maior sofrimento.

E Maria teve de aprender, e fê-lo com Jesus, a oferecer e a confiar a Deus o mais difícil: a morte do seu filho, para salvação de todos.

 

Certeza e esperança da Ressurreição

Depois de Jesus ter sido morto e sepultado, Maria é a única que mantém viva a chama da fé. Ela aguada e prepara-se para acolher o anúncio alegre e surpreendente da Ressurreição. A espera que vive a mãe do Senhor constitui um dos momentos mais altos de sua fé: após a morte do seu filho, na escuridão que envolve o universo, ela espera e confia plenamente no Deus da vida.

Neste sentido, o momento mais denso da experiência de fé de Maria talvez não seja o mistério da Anunciação mas o mistério da sua permanência com Cristo na cruz e a espera da Ressurreição. É neste drama pascal que Maria atinge a plenitude da sua densidade de vida participando no mistério pascal de Jesus: tanto no drama do sofrimento como na consolação do Ressuscitado. A fé é, assim, experiência de dor, de sofrimento, e é experiência de alegria e amor.

Também neste momento a fé de Maria continua a ser uma profunda experiência espiritual e uma profunda experiência (certamente dramática) de realização humana. Maria percebe que nem a morte pode limitar o poder de Deus para realizar a pessoa humana! E compreende a sua importância nos desígnios de Deus: Mãe e discípula do Salvador e Redentor.